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12/09/2017
Johnny Cash - 14 anos sem o Homem de Preto
Por: Flávio Costa

Neste mesmo dia, há 14 anos, perdíamos um dos maiores ícones da música mundial, Johnny Cash. A história desse homem se confunde com a história do rock n’ roll, do country music, e da mistura perfeita entre os dois ritmos.

John R. Cash nasceu em 26 de fevereiro de 1932, em um vilarejo rural no Arkansas, EUA. Quando tinha 12 anos, seu irmão Jack morreu em um acidente com uma serra de madeira. Cash não estava na oficina pois tinha ido pescar, mas até o fim de sua vida considerou-se culpado pois, se estivesse junto do irmão, teria evitado o acidente.

Aos 18 anos serviu a Força Aérea Americana na Alemanha no pós-guerra, e lá compôs seu maior sucesso, Folsom Prison Blues. Em 1954 se mudou para Memphis, e casou-se com Vivian Liberto, e trabalhava como vendedor de porta em porta enquanto criava coragem para bater à porta da Sun Records – aquela mesma que um certo Elvis Presley gravou um disco como presente para sua mãe – e quando conseguiu, cantando músicas gospel, Sam Philips pediu que ele “fosse pescar e voltasse com algo que pudesse vender”. Após voltar com Hey Porter e Cry Cry Cry em 1955, Cash conseguiu entrar nas paradas e ganhar a confiança de Philips.

Em 1956 Folsom Prison Blues atingiu o Top 5 Country e I Walk The Line chegou ao topo da mesma lista, e em 1957 foi o primeiro a gravar um álbum completo pela Sun Records. Mesmo assim, a gravadora apostava mais em um tal Jerry Lee Lewis, e Cash resolveu trocar a Sun pela Columbia Records, onde conseguiu alçar voos mais altos.

Nessa época ele conheceu Waylon Jennings, com quem dividiu um apartamento em Nashville, e junto dele conheceu a anfetamina. Seus amigos chegavam a brincar sobre seu comportamento, o que não deixava com que eles percebesem a real gravidade de seu vício.

Ainda assim sua criatividade estava em alta, e Ring Of Fire explodiu, entrando no Top 20 geral da Billboard. Escrita por Merle Kilgore e June Carter, Cash colocou o arranjo de trumpete após, segundo ele, tê-lo ouvido durante um sonho. Cash também foi preso em El Paso, Texas, por porte de anfetaminas, que estavam escondidas em seu violão. Apesar dessa prisão e de toda a temática voltada à vida prisonal e criminosa nas canções de Cash, ele nunca cumpriu uma pena severa.

Johnny Cash em foto icônica durante um de seus shows nos anos 70Após alguns problemas em shows, entre eles um derrame, e o seu divórcio de Vivian, Cash decidiu se isolar em sua casa à beira do lago no Tennessee para lutar contra seu vício. Com a ajuda de amigos, entre eles seu vizinho Roy Orbison, e sua amada June Carter, ele consegue se recuperar. Livre das drogas Cash retoma sua carreira fazendo o show mais marcante de sua vida, que resultou em um disco ao vivo, o seminal Johnny Cash At Folsom Prison. Com o sucesso desse disco ele resolve repetir a dose, dessa vez em San Quentin, em um ambiente descrito pelo diretor da prisão como “catártico; se Cash dissesse ‘rebelem-se’ não sobraria um tijolo em pé”.

Após esse sucesso Cash ganhou um programa de TV, onde recebia convidados ilustres como seus amigos Bob Dylan e Neil Young. Na mesma época e aproveitando o sucesso do programa, gravou a autobiográfica “Man In Black”, onde justificava seu estilo, totalmente diferente dos astros country da época, que se vestiam com roupas claras e chapéus enormes.

Em 1980 foi o mais jovem indicado ao Hall da Fama do Country, com 48 anos de idade. Estrelou alguns filmes televisivos e participou do supergrupo The Highwaymen, com seus amigos Waylon Jennings, Kris Kristofferson e Willie Nelson, que teve três álbuns gravados – a faixa Highwaymen foi regravada em 2015 pelo Iced Earth.

Nos anos 90 Cash conhece Rick Rubin – sim, aquele do Slayer e Metallica – e assina para um álbum chamado American Recordings, que por sinal é o nome da gravadora de Rubin. Fazendo versões “cashianas” para Tom Waits, Danzig e outros, o disco foi aclamado por ctírica e público. O sucesso levou a um segundo álbum chamado Unchained, que trouxe uma regravação de Rusty Cage do Soundgarden, levando a um Grammy como Melhor Álbum Country, mesmo com as rádios e publicações do gênero ignorando a existência do lançamento. O terceiro da série, Solitary Man, veio após uma internação de Cash por conta de uma pneumonia, e conta com a regravação de I Won’t Back Down de Tom Petty como resposta à doença. Nesse mesmo álbum, Cash grava One do U2, em uma das melhores interpretações de sua carreira.

Em 2002, o quarto volume da coleção, The Man Comes Around, composto de 50% músicas autorais de Cash e 50% de covers, traz Hurt, do Nine Inch Nails, gravada e cantada da maneira sombria que a música pede. Essa versão venceu o Grammy de Melhor Videoclipe e é considerada uma das 10 melhores regravações de todos os tempos para a crítica especializada.

Em 2003 June Carter morre devido a uma complicação decorrente de uma cirurgia cardíaca, e quatro meses depois nosso herói morre, por conta de doenças relacionadas a diabetes, aos 71 anos de idade.

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