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30/11/2017
Covers: releituras de clássicos que produziram novos clássicos
Por: Flávio Costa

Alguma vez você já ouviu uma música em qualquer lugar e pensou “nossa, eu já ouvi isso em algum lugar, mas não era desse jeito”? Pois é, me peguei nessa situação várias vezes e fui pesquisar, vi que eram covers e as originais muitas vezes não tinham a mesma empolgação. Nessa primeira matéria, falaremos sobre covers que superaram suas versões originais.

Talvez o cover mais conhecido do rock seja With A Little Help From My Friends, eternizada por Joe Cocker e que foi tema de abertura da brilhante série Anos Incríveis. O que poucos sabem é que a música foi originalmente composta por John Lennon e Paul McCartney, cantada por Ringo Starr e lançada no fenomenal Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band, de 1967. No ano seguinte, Cocker fez uma releitura mais psicodélica e romantizada da música, o que a levou ao topo das paradas no Reino Unido em novembro de 1968. A voz rouca de Joe Cocker, os backing vocals femininos e as guitarras mais pesadas (tocadas por um guitarrista que estava começando com sua banda Yardbirds, um tal Jimmy Page) deixaram a música com um toque mais dramático e o elevaram ao sucesso logo com seu primeiro single.

Outra música coverizada mais recentemente, mas que se tornou também um dos símbolos da banda, foi Whiskey In The Jar, que é uma canção popular irlandesa, transformada em rock clássico de qualidade por Phil Lynott em seu Thin Lizzy, mas que ganhou mais conhecimento do público a partir de 1998, quando o Metallica a regravou para seu álbum de covers, chamado Garage Inc. A versão da banda norte-americana fez tanto sucesso que foi contemplada com o Grammy de Melhor Desempenho de Hard Rock no ano de 1999, e seu vídeoclipe era transmitido com frequência pela MTV no mundo todo.

Outra que contou com grande ajuda da MTV foi a versão de 1993 do Nirvana para The Man Who Sold The World, um dos muitos clássicos de David Bowie, lançado originalmente em 1970 no álbum que leva o mesmo nome da música. Kurt Cobain fez uma lista de seus 50 álbuns favoritos e colocou esse de Bowie na posição 45, e fez uma homenagem a ele no especial MTV Unplugged de sua banda, inclusive brincando antes de começar a tocar “eu prometo que não vou arruinar essa”, e transformou em uma releitura brilhante, com a cara do Nirvana, mas fiel à original.

Jimi Hendrix também transformou uma música folk em um dos maiores clássicos do Hard Rock mundial, regravando All Along The Watchtower de Bob Dylan em seu Electric Ladyland de 1968. Dylan gravou sua versão da música apenas com violão e gaita, de uma maneira bem simples, no ano anterior, chamando a atenção de Hendrix. Após 20 takes de gravação, algumas tomadas de voz às escondidas e seu perfeccionismo e talento extremos, Jimi deixou a música tão diferente musicalmente que nem parece a mesma, sendo reconhecida apenas quando entra a letra.

Até os maiores de todos os tempos gravaram covers e não foram poucos. Mas quando se ouve falar em covers gravados pelos Beatles, o primeiro que vem à mente é Twist And Shout, lançado originalmente em 1960 pelo grupo vocal The Topnotes, produzido pelo genial Phil Spector (que também foi produtor dos Beatles e Ramones). Dois anos depois, o compositor Bert Russell, que não havia gostado da produção original de Spector, decidiu regravá-la com os Isley Brothers, e a canção atingiu um grande sucesso. Em 1964, os Beatles estavam gravando seu primeiro álbum, Please Please Me, e gravaram 11 músicas de uma só vez. John Lennon estava gripado e Twist And Shout foi a última a ser gravada, o que explica sua voz rouca. Martin até tentou um segundo take, mas a voz de Lennon havia desaparecido; assim, o que ouvimos no álbum foi a primeira tentativa de gravação. A música estourou nos EUA, transformando os Beatles em sucesso. 22 anos depois, em 1986, a música voltou às paradas por conta do filme Curtindo a Vida Adoidado, na clássica cena onde Ferris Bueller (Matthew Broderick) a canta em cima de um carro alegórico, no meio de uma festa na cidade, enquanto cabula aula com sua namorada e melhor amigo, fugindo do inspetor da escola. ASSISTAM A ESSE FILME, POR FAVOR!

Quando falamos em rock nacional, temos diversos exemplos, como o Skank refazendo É Proibido Fumar do Roberto Carlos, o Biquini Cavadão e sua clássica releitura de Chove Chuva do mestre Jorge Ben Jor (antigo Jorge Ben), Ira e seu disco de covers chamado Isto É Amor, de onde se destacam Telefone (da Gang 90 e As Absurdettes), Teorema (da Legião Urbana) e Bebendo Vinho (do poeta gaúcho Wander Wildner), mas o heavy metal também produziu a indispensável Wuthering Heights, excelente pop dos anos 80 pelas mãos de Kate Bush (produzida por ninguém menos que David Gilmour), metalizado pelo nosso Angra, onde Andre Matos mostra que se tornaria uma das maiores vozes do metal mundial.

Temos também algumas menções honrosas, a seguir:

Still Loving You (original do Scorpions, cover por Sonata Arctica)
Turn The Page (original do Bob Seger, cover por Metallica)
Paranoid (original do Black Sabbath, cover por Megadeth)
Stairway To Heaven (original do Led Zeppelin, cover por Heart)
The Wizard (original do Uriah Heep, cover por Blind Guardian)
Cross Eyed Mary (original do Jethro Tull, cover por Iron Maiden)
Hotel California (original do Eagles, cover por Jorn Lande)
It’s a Sin (original do Pet Shop Boys, cover por Gamma Ray)

Tem mais alguma em mente? Pode colocar nos comentários!

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