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Notícias

20/03/2017
Rock Music entrevista: Biquini Cavadão
Por: Flávio Costa

33 anos de formação, 16 álbuns (sendo 12 de estúdio com músicas inéditas) e vários sucessos que são cantadas por pessoas de várias idades. O Biquini Cavadão conquista seu público desde o começo com músicas animadas, letras inteligentes e melodias de fácil assimilação. Formada em 1984, a banda lançou em 2017 As Voltas Que o Mundo Dá, produzido por Liminha, que é famoso principalmente por seu trabalho junto aos Titãs, mas trabalha com diversos artistas brasileiros, sempre conseguindo bons resultados.

Bruno Gouveia, vocalista da banda, tirou um pouco de seu tempo para responder a algumas questões sobre o novo trabalho e um pouco da trajetória do grupo.

O novo álbum estava programado para ser lançado no final de 2016, e foi adiado para janeiro de 2017, e acabou saindo em fevereiro. Houve algum motivo para o adiamento ou somente o momento ainda não era aquele?

Decidimos não lançar o disco no final de 2016 por acharmos que essa época não seria boa para divulgar o trabalho, já que as atenções se voltariam para os grandes lançamentos populares. Era muito comum focar o lançamento de um disco no final do ano para aproveitar as vendas de Natal. Com a crise fonográfica, isso passou a ser irrelevante. Passamos então ao lançamento digital em Janeiro, mas um erro acabou adiando pro começo de Fevereiro. O Cd físico sai em março conforme planejamos.

Apenas duas das 12 músicas foram compostas somente pelos membros da banda. Isso teve alguma influência na sonoridade do álbum? 

Nos últimos 12 anos gravamos várias músicas com parceiros, portanto não é privilégio deste trabalho. Compor com esses parceiros nos abre um ótimo leque de opções musicais e renovou nossas próprias ideias. Entretanto, geralmente as músicas partiram de nossa autoria para contar com ajuda deles, e não o contrário

Quando começa a turnê? Existe algum plano para registrar shows para um possível lançamento? 

A partir do dia 23 de março, no Teatro Bradesco, em São Paulo, iniciamos a nova turnê que também já tem data marcada para a Fundição Progresso no Rio de Janeiro no dia 8 de abril.  

No nosso site oficial, os fãs poderão acompanhar a agenda 

Quais as músicas que mais deram prazer em trabalhar?

Muitas músicas que levamos para o estúdio já tinham uma boa concepção. Agora, nos casos em que nós retrabalhamos os arranjos e chegamos a sonoridades novas, com certeza isso nos deu uma grande satisfação.

O produtor do novo disco é Liminha, considerado o melhor produtor para álbuns de rock nacional. O quanto ele participou do processo de composição e o que ele trouxe de novo?

Liminha foi primordial na sonoridades alcançadas, na sua performance ao contrabaixo e na colaboração conosco ao fazermos novos arranjos. Aprendemos muito com ele e tivemos ótimos momentos. 

A banda começou na década de 80, se modernizou para sobreviver aos anos 90 (e trouxe ainda mais sucesso) e nos anos 2000 passou por outras mudanças na sonoridade, sem perder a identidade em nenhuma das fases. Como isso mexeu com a banda, e como conseguiram encarar toda essa passagem de tempo?

Essas mudanças aconteceram naturalmente, assim como, de repente, tivemos que nos adaptar a novos formatos de mídia digital. Não sei dizer como tudo aconteceu, acho que buscamos viver um dia de cada vez, talvez :-)

A banda tem a mesma formação desde 1984, exceto pelo baixista André Sheik, que saiu em 2000. Como manter o relacionamento entre vocês íntegro e amistoso?

Respeito e conversas francas sempre que algo incomoda. Resolvemos tudo em casa e decidimos tudo por votação 

Gostaria que fizessem uma comparação entre o trabalho de vocês nas décadas de 80, de 90 e de 2000 até hoje, pontos positivos e negativos.

Nos 80 éramos ingênuos, era cedo demais para sabermos tocar bem. Aprendemos nos anos 90 a lidar com ascensão e queda e reconstruímos quase que do zero na história no século XXI. A partir de 2007 passamos a lançar nossos discos de forma independente e aprendemos muito a lidar com as gravadoras por conta disso. Tivemos também a sorte de ver o nascimento da Internet em 1995. Aproveitamos aquele momento para formar nossas bases para o mundo digital. 

A banda possui alguma ambição de se lançar no mercado exterior?

Talvez em Portugal. Tentamos em 99 com biquini.com.br mas sem sucesso. Seria também legal lançar um disco de sucessos em espanhol mas isso só aconteceria em situações extraordinárias.  

As letras no disco novo possuem temas variados, alguns mais adultos, outros mais jovens, mas a que mais se destaca para mim é Nossa Diferença de Idade. A composição das letras segue algo proposital? É algo planejado, do tipo "vamos definir um tema curto e escrever em cima disso"?

São vivências pessoais. Minha diferença de idade pra minha mulher é de treze anos e havia escrito para ela já algum tempo mas faltava a música. E ela apareceu de repente durante as gravações. Não somos de planejar, até porque somos vários compositores e cada um tem uma ideia. O que faz o Biquini Cavadão ser o que é, é justamente esta mistura 

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