Selo_midiorama

 

 





Notícias

12/08/2017
Trinta e dois anos de amor pelo Rock in Rio
Por: Raphaela Ximenes
Flickr Rock in Rio

Tenho uma relação de amor e ódio com o Rock in Rio e essa relação dura exatamente os 32 anos de existência do festival. Tudo começou em 1985, quando aconteceu o primeiro Rock in Rio, lá na Barra, que na época, para mim, pequena, era quase que em outro mundo. Minha prima, 8 anos mais velha do que eu, iria com os amigos e a pirralha aqui queria ir também. Como a única referência que minha mãe tinha de festival de rock era Woodstock, claro que não fui de jeito nenhum. Só me restou ficar acordada até tarde e acompanhar tudo pela televisão. Lembro que queria muito ver a Nina Hagen, adorava o cabelo colorido e as roupas. Mas me apaixonei perdidamente pelo Queen, pela voz incrível do Freddie Mercury, as músicas, tudo. Lembro da minha empolgação para ver as bandas brasileiras, Paralamas do Sucesso, Ultraje a Rigor, Barão Vermelho com o Cazuza, além do Pepeu Gomes e o Ivan Lins. Foi quando conheci também Rod Stewart, Scorpion, AC/DC e Whitesnake. Já gostava do Yes, por causa de uma babá que ouvia rádio o dia inteiro e apaixonada pelo Yes (e Elvis Presley, mas essa é outra história). Infelizmente lembro muito pouco do show do Ozzy, curiosamente, de todas as bandas de metal foi de Black Sabath que passei a gostar mais. 

Foi com esse primeiro Rock in Rio que surgiu meu amor pelo rock e pelo festival. Todos os anos avisavam que poderia acontecer uma segunda edição, mas ela nunca acontecia. Lá em 1991, o Maracanã virou o novo palco do Rock in Rio e dessa vez eu tinha idade pra ir! Mas não tinha dinheiro, as agruras da adolescência. Aquele era um ano incrível, com Guns n’ Roses e Faith No More brilhando muito. Eu adorava as duas, mas meu coração balançava e ainda balança, pula, grita, se estrebucha pelo Mike Patton e o Faith No More. Mas essa edição também teve, olha que incrível: Megadeth, Queensryche, Judas Priest e Sepultura, representando muito bem a parte pesada do festival. Eu consegui ir na noite em que tocaram Serguei (sim! Eu vi um show do Serguei!), Supla, Billy Idol (eu percebi a ironia), Engenheiros do Hawaii, Santana e INXS com Michael Hutchence ainda vivo e maravilhoso. Não consegui ir na noite do Guns com o FNM, mas gravei tudo e revi até estragar a fita VHS. Também rolou A-Ha (guilty pleasure), Capital Inicial, Information Society, Happy Mondays (anunciando a chegada da onda brit pop), Debbie Gibson, George Michael, Lobão, Titãs, Moraes Moreira e Pepeu Gomes.

Nessa época meu amor pelo Rock in Rio era enorme, passei a amar a energia de um grande festival de rock e meio que fiquei viciada em shows. A espera, a multidão, todo mundo ali na mesma vibe que você. Sempre achei o máximo. Infelizmente esse Rock in Rio deu mais prejuízo do que lucro e tudo indicava que não aconteceria mais o festival na cidade. Daí o hiato de 10 anos. Eu já tinha perdido as esperanças, pelo menos tinha todo ano o Hollywood Rock para me deixar feliz. Mas esse é outro festival e assunto pra outra coluna. Foi em 2001 que o Rock in Rio voltou pra Barra, nos moldes de festivais internacionais, com mais de um palco e tendas com estilos “alternativos” de música. A música eletrônica ganhava força e a tenda eletro era a que mais bombava. Mas também rolava a Tenda Raízes, a Tenda Brasil e a Tenda Mundo Melhor, todas agregando o novo slogan do Festival: “Por um mundo melhor”. Dessa vez consegui ir em duas noites, lembro que vi o famoso show da Cássia Eller, Gilberto Gil, Milton Nascimento, James Taylor, Sting em sua fase jazz. Também vi R.E.M., Beck, Foo Fighters, Capital Incial e Red Hot Chilli Peppers (que fez um show horroroso). Mas esse Rock in Rio também teve metal, com Sepultura, Iron Maiden, Rob Halfod, Guns n’ Roses (no pior momento) e Papa Roach. Aconteceu o fiasco de colocarem Carlinhos Brown pra cantar na noite das bandas de Heavy Metal e ele foi super mal recebido pela plateia. Rolou uma noite teen, com Sandy & Junior, Britney Spears, NSYNC. Mas também rolou show do Oasis, Silverchair e Pato Fu. Era janeiro, muito calor e muita lama, lembro que no último dia era o caos de lama pra todo lado, ali começava minha raiva, mas a razão era a desorganização. Apesar de tudo, valeu muito a pena ver shows inesquecíveis, como o do Sting, R.E.M., Cássia Eller e Foo Fighters. Aquela era a época que ainda valia ir a um grande festival de rock pela energia do público.

Essa edição também não foi lucrativa e começou um boato d que não haveria mais Rock in Rio. Pra piorar, Roberto Medina (criador do festival), o transformou em uma marca e a vendeu para Portugal, quando aconteceu o Rock in Rio em Lisboa, em 2004. Assistíamos de longe os line ups maravilhosos do festival pelo mundo, mas nunca no Brasil. Até que em 2011 ele voltou e voltou lindo, moderno, conectado, em um espaço enorme, com dois palcos maiores do que nunca e já no formato do Rock in Rio atual. A marca Rock in Rio trouxe o mundo pro Rio e estrelas do rock e do pop. O curioso, é que o festival que lá em 1985 começou como um enorme festival de ROCK, deixou algumas pessoas supresas com uma noite dedicada ao heavy metal. Pois é. Dessa vez misturou tudo numa grande festa da música, Rihanna, Katy Perry, Maroon 5, Coldplay, Kesha, Shakira, Maná, Evanescense e mais uma vez, Guns n’ Roses, com um show que atrasou muito e deixou muita gente chateada. A noite metal, um dos dias que fui, teve Motörhead, com um show inesquecível, System of a Down, Slipknot, Angra, Sepultura com o maravilhoso Tambours do Bronx e Coheed and Cambria. Também estive lá na noite do show do Stevie Wonder e foi nessa noite que comecei a ficar um pouco irritada com grandes festivais de rock. Muita gente que vai pelo hype, pela selfie e pelo crush, mas quase nunca pelo show. Mas curti muito o show do Stevie Wonder.

Essa edição foi um verdadeiro sucesso e o Rock in Rio entrou para o calendário de festivais da cidade, passando a acontecer a cada dois anos. Em 2013, o Rock in Rio trouxe Bruce Springsteen, Metallica (foi a noite de maior sucesso, eles precisavam repetir), Bon Jovi, Iron Maiden, Justin Timberlake e Beyonce, entre as atrações principais. Nesse ano não consegui ir em nenhum show e meu coração chorou de raiva de não ver Springsteen e nem Beyonce ao vivo (desculpa gente, sou rockeira de alma, mas o cabelo bate por um pop de vez em quando). A última edição antes desse ano, foi em 2015, comemorando 30 anos do festival e o longo caminho que ele percorreu. Fui ver o Faith No More, porque a adolescente dentro de mim implorou e eu não me arrependi. Vi Hollywood Vampire, super banda montada pelo Alice Cooper, com Joe Perry (Aerosmith), Tommy Henriksen, Duff McKagan (Guns n' Roses), Matt Sorum (The Cult, Guns N' Roses e Velvet Revolver), Bruce Witkin e um rapazinho na guitarra, chamado Johnny Depp. Rock old school da melhor qualidade e um dos melhores shows que já vi. Também rolou System of a Down e Slipknot e Queens of Stone Age. No mesmo Rock in Rio rolou uma homenagem ao Freddie Mercury, com a apresentação do Queen com o Adam Lambert no vocal, que com certeza deixou Freddie bem orgulhoso. Teve Rod Stewart que tocou um monte de hit antigo com um show divertidíssimo, Motley Crüe, Metallica, Korn, Ministry, Gojira, Elton John, John Legend. Acabei na noite de encerramento vendo A-Ha e Katy Perry, que fez um show colorido e divertido.

Foram trinta anos de Rock in Rio, da minha infância até a vida adulta, passando pela fase adolescente rockeira, só ouço rock e uso roupa preta, chegando à 2015 com a cabeça aberta pra todos os sons, curtindo desde o show clássico do Motörhead e nosso amado Lemmy, que deixa muita saudade, passando pelo Queens of Stone Age, mas aprendendo a entender o valor de Adam Lambert, mesmo sabendo que ninguém nunca vai ocupar o lugar de Freddie Mercury em nossos corações. A energia mudou um pouco, odeio soar saudosista, mas sinto um pouco de falta de quando quem ia ao show ia pra ver o show, mas entendo que se fosse adolescente agora também ia querer mostrar pra todo mundo que incrível o lugar onde estou. Aqui damos o ponta-pé incial para a sétima edição do Rock in Rio no Brasil, no Rio de Janeiro, que vai acontecer de  15 a 24 de setembro e que vai trazer Aerosmith, Lady Gaga e THE WHO! 

Comentários